Tarô: o Tradutor Quântico II

O Alpha e o Ômega – “Eu sou o ínicio, o fim e o meio” (Raul Seixas)

Parte II

No artigo anterior, eu fiz uma relação entre a teoria de todas as coisas, as dimensões e o funcionamento oracular. Alguns cientistas discutem se Deus joga dados ou não, ou será que ele roda a roleta da fortuna? Onde estará o eixo desta história?

Tudo vai bem até então, assim podemos compreender porque o oráculo faz o papel dele, mas e o papel do tarólogo?E a interferência da psique individual?um oráculo é apenas uma ferramenta da sincronicidade, mas é tudo trabalho dele?

É comum termos pessoas questionando se precisam se concentrar em uma pergunta. Como poderíamos ver isto por uma prisma “quântico”? Confabulo que algumas vezes, perguntamos uma coisa, mas a energia consciente que despendemos em um determinado assunto é menor do que uma energia inconsciente, que pode estar hiper vibrante e atuante no campo da informacional, já com forma definida e dinamismo. Lembra a imagem da rede virtual no artigo anterior? Os pontos maiores seriam uma forma de condensação energética e esta se manifestará “sem permissão” ao abrirmos o oráculo, que apenas conduz tal energia pelo símbolo. Por isso, jogar para nós mesmos, quando estamos envolvidos até o pescoço em algo que nos mobiliza profundamente, pode não funcionar. Gera aqueles momentos em que dizemos: “mas não foi isso que eu perguntei!Mas até que faz sentido…”. Ou, estamos tão desfocados que nos bloqueamos sem compreender nada, em tiradas sucessivas que apenas diluem mais as respostas. E tudo parece magia, mas em resumo, nem sempre o que nossa consciência busca é o que está mais emergente.

Concentração é a espada da mesa do mago.

Além disso, a energia entre corpos energéticos, do próprio tarólogo e do consulente, pode gerar uma série de interferências onde energias se uniram ou se dispersarão.

Para explicar isso, vou utilizar A parábola do mar (A Ciência e o Campo Akáshico, pg 75), segundo Laszlo.

“Quando o navio viaja na superfície do mar, as ondas se espalham em sua esteira. Elas afetam o movimento de todos os outros navios nessa parte do mar. Cada navio – animais q habitam as águas – fica exposto a essas ondas, e seu caminho é, num certo sentido, “informado” por elas. Todos os navios e objetos fazem “ondas”, e suas frentes de ondas se interceptam e criam padrões de interferência.

Mas vários navios trafegam pelo mar. Se muitas coisa se movimentam, esse meio se torna modulado: cheio de ondas que se interceptam e interferem. Quando vemos o mar do alto, podemos ver seus rastros. A modulação da superfície do mar, pode nos oferecer dados sobre os navios, podemos deduzir sua localização, velocidade etc pelas ondas que criaram.” ( pg. 76)

No grande mar de vivências experienciais, arquetípicas humanas ou universais, os navios podem ser as pessoas e as ondas nos trarão informações sobre elas. É isso que o oráculo faz através do interprete, lê as ondas….marcas energéticas nos campos vibracionais que ficam marcadas no grande oceano holográfico atemporal. Apesar de estarem para sempre marcadas, ainda assim, algumas terão mais força que outras em termos de quantidade energética…Essas ondas podem informar sobre o micro ou macrocosmo, o mundo material e nossas experiências subjetivas que interferem em nossos corpos vibracionais.

A tiragem do oráculo deve ser realizada com espaços significativos de tempo, pois o seu objetivo não seria obter informação acerca de um fragmento de realidade, mas se possível, sobre a totalidade de uma situação psicológica interior, exterior, presente e futura.  O cuidado com o objetivo da leitura é o que os tarólogos de modo geral precisam ter com seus consulentes, visto que alguns insistem em perguntas e tiragens ostensivamente quando envolvidos em alguma crise. São os “ruídos”.

O 8 de espadas energético.

Como diz a parábola, muitas ondas podem se interceptar e criar padrões de interferência. Ou seja, as energias do tarólogo, mais a do consulente, podem se cruzar e por isso, confundir a nossa leitura oracular. A concentração consciente em torno de uma questão que esteja mais proeminente torna-se essencial. Fazer uma pergunta só por fazer, pode ser contraproducente, pois o oráculo vai despejar o conteúdo mais forte, ou cheio de interferências de energias mais fortes e caóticas, pois não foi delimitado um campo a se focalizar. Se você não sabe a área certa, é como jogar batalha naval, só aumenta as chance de errar o alvo.

Semelhante à análise, assim ocorre a interação entre oraculista e consulente.

Outro ponto que podemos refletir sobre esta fábula, é reafirmar que métodos de jogada são realmente importantes. Se temos um campo informacional marcado por várias trilhas, ou mesmo que esteja isolado, é preciso ter uma visão sistêmica. Quantos mais “pontos” brilhantes de informação, melhor se pode criar um campo de informação. Por exemplo, você faz uma pergunta e descobre que vai se realizar rápido. O campo informacional por sua onda, mostra que a embarcação está navegando bem. Entretanto, tiramos outra carta e vemos que temos um vazamento de óleo na onda. Ou seja, esta informação somada à outra, já demonstra que o navio está rápido, porém está com problemas. Se não tivéssemos realizado um método que nos mostrasse um “campo informacional”, ao invés de “um ponto de informação”, já estaríamos interpretando parcialmente. Exemplificando, no caso de um astrólogo, seria avaliar um mapa só pelo signo solar. O mesmo ocorre com as terapias de associações de palavras.

Você precisa de equilíbrio, Daniel San!Concentre-se, mago!

Em resumo, o papel da nossa concentração, empenho na relação intérprete-consulente- símbolo é primordial, pois trata-se da energia psíquica consciente ou não do oraculista em separar uma amostra da experiência mais vibrante da mente do consulente sendo traduzida por símbolos do sistema oracular, que estão acessando as “várias ondas” produzidas tanto pelo consulente quanto pelas interferências de seu ambiente e pessoas próximas. Sem contar que as próprias vibrações do tarólogo podem influenciar a leitura e quando não – muito comum – trazer conteúdos e desafios similares ao que está se deparando nas cartas que joga para o outro, pelas propriedades de semelhança vibracional.

Ou seja, concentração e foco no que se quer saber tornam todas dinâmicas energéticas menos instáveis e com isso podemos realizar uma melhor interpretação e aumentar a relação empática e consciente.

Filme “Uma mente Brilhante”. Quando o protagonista tem um surto esquizofrenico. Vemos um excesso de conexões e padrões não congruentes.
Não basta ser gênio, é preciso concentração.

Para compreendermos melhor como procede uma tiragem tarológica adicionando a isto as teorias físicas com as da psicologia analítica, seria imaginar que o inconsciente coletivo é um campo de energia psíquica, cujos pontos excitados são os arquétipos, que projetam holograficamente as imagens arquetípicas, e assim como podemos definir relações adjacentes num campo físico, também podemos definir relações adjacentes no campo do inconsciente coletivo e pessoal.

“Visto que essa é a ordem ou campo dominante no inconsciente coletivo, se poderia afirmar que as técnicas de adivinhação constituem tentativas, por um lançamento aleatório de números, de descobrir qual é o ritmo do Self em um determinado momento. Jung, por vezes, descreve o que fazemos ao consultar o I-ching, dizendo que é como olhar para o relógio da situação no mundo, a fim de apurarmos em que momento estamos, enquanto que o oráculo daria a situação interior e exterior do mundo, pela qual governamos as nossas ações”. (Adivinhação e Sincornicidade, Von Franz, 1993:78)

Von Franz, discípula de Jung, igualmente coloca que só se deve usar o oráculo quando há uma questão constelada no inconsciente, quando a pessoa se encontra num impasse e em estado de tensão emocional (voltamos aos pontos de concentração energética). Assim, o arquétipo é de certa maneira, um fator de probabilidade psicológica. Ele pode ser definido como uma estrutura que condiciona certas probabilidades psicológicas, e as técnicas oraculares são, obviamente, tentativas de se chegar a essas estruturas. Citando Jung em seu ensaio sobre sincronicidade, ele conceitua que os eventos sincronísticos onde se enquadram as técnicas divinatórias são atos de criação e, como tal únicos. Um evento sincronístico é uma história única e imprevisível, porque é sempre um ato criativo no tempo e não é algo regular.

O equilíbrio entre o determinismo e a imaginação.

Isso nos leva aquele outro aspecto, sobre o Tarô histórico e o Tarô como ferramenta da psique. Na visão histórica, um artista desenhou tal símbolo com um conceito determinado, entretanto quando olhamos símbolos como manifestação de um ponto de vista psíquico, algo poderá emergir sem pedir licença, é aí quando certas situações entre colegas tarólogos, um pesquisador dirá que a mesa do mago tem 3 pernas,  poque o artista não conseguiu que coubesse na lâmina, um outro pode achar que é uma traquinagem do mago, puro ilusionismo. Quanticamente e taoísticamente dizendo…é…e não é. Um ato de criação, ou um ato de loucura, talvez saberemos. rs

Luciana Lebel
Taróloga

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