O Tarô do incrível mago OZ

Dia desses esbarrei na TV a cabo com o mais recente filme OZ, Mágico e Poderoso com James Franco e Rachel Weiz.  Apesar de não considerar um filmaço e ser mais um da série de temas contos de fada com muita computação gráfica, até que no geral tem o seu encanto.

waite-1O mágico sem dúvida é o nosso querido arcano 1. Ele é jovial, faceiro, um ilusionista charmoso, que adora uma platéia, tem um certo egocentrismo e carisma que prende atenção. Ele é um mágico circense, mas embora saibamos que mágicos fazem truques, e nem por isso nós o consideramos maus, na época retratada, existe a crença de que a magia é real, com promessas de cura e contatos mediúnicos. Por isso, fazer um truque representa um embuste gerando muita confusão, o que ocorre no início do filme, fazendo com que Oz seja obrigado a fugir do circo em um balão.

Oz é extremamente caricato mostrando todo o jeitinho cafajeste de seu lado escuro, é também um charlatão, um mentiroso conveniente, embromador de mulheres para quem ele oferece de presente caixinhas de música da avó, que morreu na guerra que ele inventou…. Claro que as candidatas a namorada se sentem especiais, afinal é um artefato de família! Temos um mago no arcano dos enamorados, na encruzilhada, indeciso sobre comprometer-se com alguém.

Ele é esperto, inteligente, hábil com as mãos e sempre encontra uma solução engenhosa para escapar e solucionar os problemas. Quem sabe um coelho da cartola?Ou um pombo da manga?

Existem certas comparações entre o mago do tarô e o deus Mercúrio, que normalmente aparece nos mitos nas encruzilhadas atrapalhando viajante, ou meio aos piores problemas, trazendo soluções ou até, quando mal-intencionado, atrapalhando e confundindo ainda mais. Oz ao chegar na terra desconhecida levado pelos ventos de um tornado, torna-se peça fundamental daquele mundo, afinal tudo gira em torno dele. Basicamente a questão é: Como este mago usará seus poderes? Existirá bondade no grande OZ?

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Encruzilhada é contigo, Hermes!

O mágico ao chegar neste mundo é confrontado com suas polaridades, visto que é extremamente imaturo, ainda um “começo de homem”, arcano 1. Além disso, neste fantástico e exuberante ambiente, logo ele toma conhecimento que o rei da cidade de Esmeralda…o Imperador ou o sábio eremita, foi assassinado.  Este rei morto representa as facetas masculinas que OZ ainda não tem, nem ombridade, nem sabedoria, embora lhe abunde esperteza. Até então, não sabemos até onde ele irá com a farsa enganando a todos sobre ser um grande mago com poderes ilimitados, que já o aguardavam pois havia a profecia que o grande feiticeiro chegaria. Porém, logo ele é atraído pelo tesouro do rei através de Evanora, a bruxa má do leste. Durante seu trajeto, ele oscila entre o claro e escuro, envolvido pelas figuras femininas que o acompanham durante a trama.

O Mago com seu báculo já querendo o trono do Imperador.

Inesperadamente,  meio as aventuras e andanças na estrada de tijolos amarelos,  OZ salva acidentalmente com um truque um macaco alado, que passa a ser seu leal aliado. O curioso é que o macaco tem muita relação com essa figura do mágico. Macacos são espertos, inquietos e ágeis. Eles tem uma malícia de uma inteligência oportunista e são ótimos ladrões. Quem já habitou perto de micos por exemplo, sabe o quanto são safadinhos e é bom manter as janelas da cozinha fechadas! Ao mesmo tempo, eles são brincalhões e sua semelhança com o homem nos atrai como um espelho, trazendo um lado cômico, onde ao mesmo tempo que existe agilidade, há molecagem.

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No tarô New Vision, temos um macaquinho similar puxando a capa do mago.

As Mulheres do mago Oz

 

Neste filme temos 3 bruxas. Quando pensamos em bruxaria podemos lembrar do arcano XVIII. Penso que aqui, as mulheres representam faces da lua. Todas representam magia, mistério e sedução. E ao mesmo tempo, cada uma representa uma fase do ciclo: a lua crescente, a lua cheia e a lua minguante. No tarô de Waite temos essa representação na carta da sacerdotisa, a protetora dos segredos. Por que a papisa seria uma bruxa?Bom, ela é intuição, pressentimentos, sensibilidade, pura magia e mistério. Ela conhece o mundo invisível e pode captá-lo com os poderes da clarividência. E a manifestação e controle dos elementos da natureza, acontecem na Imperatriz (lua cheia). Porém, a sacerdotisa possui as três faces da lua, pois ela é a donzela virgem, a mulher madura ou a mulher anciã.

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Na cabeça da sacerdotisa, a lua tríplice.

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Deusas tríplices são retratadas pela lua e também em muitas mitologias, temos a Moiras, bruxas do destino, temos Hecate, de três faces, deusas celtas, resumindo…nós mulheres, em algumas culturas ancestrais, temos uma relação com ciclos (menstruação feminina) e fases (emoções alteradas),  a sua influência nas marés.

Ao pousar com seu balão dentro das águas de um rio, a primeira pessoa com que Oz se depara é uma mulher bela que o observa curiosa, enquanto o mágico sai molhado com sua cartola. Ela é Theodora, uma dama discreta, que logo se encanta por OZ. A moça ouviu profecias sobre ele e tem aspectos de uma Sacerdotisa de olhos grandes e tímidos. Theodora é um arcano II, donzela ainda pura, jovem e virginal, abrindo-se para o amor do arcano seguinte, a Imperatriz. Logo se deixa envolver pelo charme de OZ e acredita nele. Por ingenuidade, Theodora idealiza o mago e projeta suas expectativas românticas. Ela é a lua crescente, ainda aprendendo sobre a vida.

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Theodora, a donzela

Momento arcano Sol de Theodora com o mago.

A outra mulher com quem OZ se depara é Evanora, a bruxa má do leste. Porém, Evanora também finge. É um lado escuro da magia do arcano da Lua e a Sacerdotisa mais velha, dissimulada e astuta. Ela se faz passar como a bruxa boa para OZ, invertendo os papéis, sonsa, conspiratória e cheia de terrores manifestando o lado negativo dos arcanos II e XVIII. Evanora é a lua minguante, mas em um sentido nefasto. Sua verdadeira aparência é a de uma idosa, embora se mostre bela. Não que necessariamente a lua minguante, que representa  anciã seja má, ela pode ser a sabedoria. Porém, Evanora manifesta o lado negativo.

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Evanora, bruxa má

Enquanto o mágico encontra a verdadeira bruxa boa, Evanora envenena psicologicamente Theodora contra Oz, exaltando seus defeitos de mago como enganador e triturador de corações. Assim como um arcano da lua, que contamina sem que percebam, faz intrigas e oferece uma maçã amaldiçoada para a jovem Theodora, que ao mordê-la transforma-se em uma bruxa horripilante vingativa e rancorosa. A maçã (Éden, dúvida) envenenada (serpente, a bruxa má) é o símbolo do amor-rejeição , como no conto da Branca de Neve, somente um beijo da restaurador para salvá-la e fazê-la novamente acreditar. Mas seu ódio ainda é maior e ela promete nunca mais acreditar em Oz. É o que ocorre quanto a voz da experiência (anciã, lua minguante) solapa a esperança da juventude (donzela, lua crescente). Ela sofre uma transformação física, sua pele se torna verde…de inveja. Lembranças ao valete de espadas “Medusa” de Thot…

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Theodora após ser envenenada por Evanora. Sentimentos de ódio por Oz.

E temos a bruxa do sul, Glinda, que é a bruxa boa do sul, ela é a parte luminosa da lua, é a sacerdotisa (II) sábia e imperatriz (III) da cidade de Esmeralda, real sucessora do trono. Ela é a mulher inteira, que “cuida” do inescrupuloso OZ e sabe incentivar o melhor dele. Glinda é a lua cheia e brilhante, a grande mãe que protege seu povo.

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Após muito oscilar entre ganância e o afeto por seu novos amigos, Oz acaba sendo conquistado por Glinda, que acredita nele, em sua sagacidade e habilidade, mesmo sabendo que é um farsante. Não podemos esquecer, que temos também a bonequinha de porcelana na história, que apela por seu lado paternal, ela é frágil e necessita proteção, uma lua nova, um doce valete de copas.

Enfim, essa é a influência dessas bruxas sobre o mago. No final das contas, mesmo que não acreditemos em magia, a história nos passa que se acreditarmos em nós mesmos, ou naquilo que estamos fazendo, a magia do mago acontece! O importante é acreditar! Não é feitiçaria, é autoconfiança, atuação, propaganda e tecnologia. Quanto mais engenhosidade, no filme é citado Houdini e Thomas Edson, até podemos parecer mágicos com o conhecimento e a técnica. E muitas vezes o que parece ser, pode ser a nossa cartada de blefe para uma grande jogada!

No fim, apesar de Oz entregar-se ao amor de Glinda, seria ele confiável?Bom, isso só Glinda saberá!

Por Luciana Lebel

  • Luiz Costa Tarologo

    Belo texto Lu, muito bem pontuado nas analogias feitas… ainda não vi este filme, mas fiquei curioso…

    • Luciana Lebel

      Lu, obrigada. Eu vi por acaso, mas achei até bem divertido.