Relações de EGO

Como você se relaciona? Perspectivas Tarológicas


Algumas questões são levantadas sobre o tarô no que tange especificamente às relações afetivas.  Existem cartas que geram controvérsias e polêmicas quanto a capacidade de doação, equílibrio e entrega, são elas: o imperador, a força e o diabo. Será que a carta da Força, pode exprimir uma relação realmente de amor?E a carta do Imperador, será realmente só uma formalidade?
Tais cartas seriam movidas pelo EGO, no sentido de satisfação de sua própria vontade, da megalomania, da insaciedade, surgindo daí o EGOísmo, pois a energia sexual, seus desejos são centrados em si mesmos e seus caprichos. São cartas que alguns têm prazer em tirar e normalmente, aparecem bastante nas relações contemporâneas, tanto positivadas quando negativadas. Não deixam de ser excitantes.
O Imperador é o macho, aquele que protege sua prole e seus bens.  Sua relação com a sexualidade é de puro poder, o grande falo. Ele é aquele que com unhas e dentes defenderá o seu império e suas posses, incluindo sua mulher e seus filhos. Oferece segurança, mas pouca espontaneidade.
A Força no relacionamento, é uma carta de aprovação. Ela é sensualidade, mas também está relacionada ao poder e muitas vezes,  é porque isso alimenta sua vaidade. Ela pode não amar, nem desejar a felicidade do outro, mas precisa provar por A+B que é gostosa, desejável, admirada. Precisa estar “por cima” seja sexualmente ou moralmente.  A carta 11, não descansa, afinal tem sempre que provar alguma coisa para si mesma. Exige esforço domar nosso leão interior. Ela é prazer, mas prazer é fugaz. Vc tem fome e a sacia. Amanhã, tem fome novamente. O outro fica refém quando têm sempre que prestar-lhe juras de amor eterno.
A última seria a carta do Diabo. A raiz da fantasia, do fetiche da dominatrix, do submisso, do cíume doentio e dos crimes passionais começa nas questões básicas sobre amor e paixão. Se o DIABO é a carta da Paixão, sobre o encantamento da sedução e a leitura que temos do outro, do objeto amado, podemos compreender que o que caracteriza esta carta emocionalmente, é o estado ilusório e irracional do apaixonado. Ele direciona sua energia sexual em uma direção de modo intenso, mesmo sem saber se o receptor pode arcar com isso.
A ilusão é criada pelo próprio indivíduo onde ele deposita no outro a responsabilidade por sua completude, sua integridade como pessoa. Por isso, ele não pode “viver sem o outro”. Isso, é o alvorecer do egoísmo narcísico, em que o sujeito deseja enquadrar o outro segundo sua fantasia, sem enxergar o que ele é de fato, afinal o prisma é ele mesmo! São as roupas de látex, as fantasias de perversão às escuras, ou seja, não é a realidade do outro, mas uma criação.
De modo mais coloquial: É quando depois do sexo, não se consegue ter uma conversa viável. É quando a mulher usa saia curta e o homem briga, porque ele precisa enquadrar a mulher na sua fantasia de pureza. É quando a mulher deseja arrancar os olhos do namorado, visto que ele era tão “legal”, embora todo mundo via que ele era mulherengo, mas ela não. E pior, ela não consegue se separar mesmo assim e tem relações sexuais tórridas com ele.
Mas existem outras cartas que são movidas pelo ego, mas na cultura de leitura, são visualizadas de modo mais sublime. Tem mais uma carta que negativada tem esse sentido, e é o SOL. A carta do SOL, do ponto de vista afetivo é vista normalmente de modo bastante positivo, assim como o imperador de modo negativo. Entretanto, tem pessoas “SOL”, que são tão incapazes de se relacionar, porque não conseguem sair da frente do espelho, escapar de sua questão narcísica. Todos devem ser seus súditos. Além do que, a carta do SOL é o regente planetário do Leão da carta da força e é o astro-imperador. Uma relação afetiva SOL, pode ser péssima segundo configuração menos favoráveis em um jogo.
Outra carta vista positivamente para relação afetiva, que usualmente não se vê o aspecto egoísta, mas que remete ao signo oposto, Aquário, é a carta da Estrela. O SOL é uma estrela, e as outras estrelas menos evidentes no nosso sistema, não deixam de querer ser observadas. Só que negativada, a pessoa estrela inveja o brilho do outro. Vive com óculos cor-de-rosa, é não me toques, vive a necessidade de admiração, de aplausos, e deseja q os outros a sustentem, afinal ela se sente muito especial ou muito diferente. Uma forma de egoísmo com purpurina New Age. Uma relação afetiva com estrela negativada, é carregar o outro nas costas, porque ele se acha realmente um ser alienígena muito importante.
A relação Estrela negativa, é o egoísmo do salvador da humanidade, das coletividades. É o idealismo que aparentemente é para melhorar a vida dos outros, mas na verdade não passa de fantasias de glória. Qualquer semelhança com um imperador com a sombra da carta do SOL, não é mera coincidência.
Salada de EGOS

Os conceitos de EGO são variados, no popular EGO é vaidade, como tem também o EGO psicanalítico, o EGO real, o EGO apego. Seria preciso primeiramente passar por todos os conceitos de EGO, antes de tirar conclusões misturando um EGO a outro, mas ficará para outra oportunidade.
Em estudos espiritualistas, religiosos e algumas vertentes filosóficas pregam a dissolução do EGO APEGO como caminho de evolução espiritual. O EGO é ilusão, é estar preso à matéria, mesmo sendo tudo é mutável, inclusive nós mesmos.  É afastar-se do conceito de  essência, é estar preso ao ciclo de repetições e as aparências.
Vale ressaltar, que o que eles chamam de busca pela iluminação ou transcêndencia, dissolução do EGO (na verdade, dissolução de algo ilusório) nada tem a ver com baixa estima. Seria como dizer que o budismo, o espiritualismo ou a prática da Yoga pregam a baixa-estima. Talvez a moral judaico cristã tenha se distorcido durante o tempo, confunde-se com o ego vaidade, ou pessoa de “personalidade”. Esse conceito foi utilizado de modo a subjulgar, ter ovelhas fiéis, e com esse mesmo olhar errôneo, observam e julgam mal os conceitos orientais, que absolutamente pregam a submissão, pelo contrário, pregam a perfeita integridade e aperfeiçoamento individual, estando compatíveis com os valores de amor universal de outrora.

Por Luciana Lebel
Taróloga