Poemas Tarô

Recado à Imperatriz

Águia de ouro e escudo de prata,

talismã real,

psique apropriada.
Fêmea maior, terrena, encimada,

desencanta o redentor,

enche a coroa de espadas.

Virgem, Madona, Dama, Deusa Imperial,

dramática, selvagem, natural.
És o tema e o poema:

assim aérea, boreal.
És o fogo e o desejo:

líquida, crística, glacial.
Quero porque te vejo:

teus beijos de sol e de sal.
Mulher de Pitágoras,

ora menina, ora mimada,

exerce minha influência,

enfatiza meu Tao,

me dá essência,

transforma meu dia

com seus naipes de alegria.
Mas trazei sempre teu rito das artes divinatórias:

verbo, mito e universo nítrico.
E para saber o que há além da mente

acima da servidão de escolher

a liberdade da criação sente

que podes permanecer mulher consciente

para o jogo comum do entalhador das sementes.  (…)

Sedenta de ser

O grito é o mítico

e nela se espelha o lírico

essas tais coisas

de Espírito.

Mulher providenciada

Essa capacidade

de ligar o céu e a terra

o espírito e a matéria

de lapidar e ordenar

o corpo e a divindade.
Essa capacidade

de conciliar o poeta e a profeta

a idéia e a estética,

misturando o instinto

e a espiritualização.
Essa capacidade

faz-se necessário, Imperatriz:

secar o calor que bronzeia o gelo,

justapor o divã e seus anseios

deixar a polaridade mais feliz.


por Cristina Guedes
escritora, poeta, ensaísta e taróloga