O tarot e o karma

O tarot e o karma O karma é uma palavra de origem sânscrita que fisicamente representa a ação e metafisicamente a lei da retribuição universal. Assim sendo a teoria do karma é perfeitamente compatível com a terceira lei do movimento de Newton que diz que: “Toda ação provoca uma reação de igual intensidade, mesma direção e em sentido contrário”.  Podemos simplificar dizendo que todas as nossas ações retornam a nós, independentemente de termos melhorado nesse meio tempo! Vale sempre lembrar, entretanto, que o karma não é uma punição e muito menos uma recompensa. É a consequência natural de nossas ações. 

O karma é uma lei de coesão universal e transcendente.

Todas as ações de cunho coesivo e harmonizador formam aquilo que poderíamos chamar de karma positivo e todas as ações de caráter destrutivo ou desarmonizador formam o karma negativo. Buda nos ensina que nem um nem outro são favoráveis a evolução da consciência humana, pois enquanto criamos karma, seja positivo ou negativo, continuamos presos a dualidade que gera todos os conflitos sem nunca nos libertarmos da roda de Samsara, ou o eterno ciclo encarnatório de nascer, viver, morrer. A libertação desse ciclo se dá através da compreensão do sentido intrínseco do karma e a não identificação com o seu retorno e efeitos. O karma retorna sempre, o que não significa que qualquer pessoa irá se deparar com seus resultados apenas numa outra vida, o fluxo kármico opera constantemente! Seus efeitos são repassados para uma outra encarnação apenas em ocasião da morte. Fazendo uma comparação rude, é como o intervalo de uma telenovela, entram os comerciais e assim que a novela recomeça tem de partir exatamente de onde parou na trama! O karma pode ser tanto individual quanto coletivo, como no caso de uma família ou de uma nação.A lei do karma seria uma versão sutil  de uma outra teoria das ciências naturais, a do evolucionismo de Charles Darwin, e assim como uma espécie melhora os seus gens para a que a próxima geração se adapte e sobreviva, a alma também aprende e evolui no campo espiritual para que a consciência que nunca morre se beneficie e também evolua.Não pretendo aqui fazer mais do que uma síntese dos significados espirituais do karma, esse tema não caberia numa explanação tão breve quanto essa. No fim desse artigo sugiro uma bibliografia que pode orientar melhor iniciantes em temas esotéricos, ou leigos mesmo, a se instruir melhor sobre esse assunto tão fascinante.O tarot e o karma Como o karma se apresentaria no tarot? Uma leitura pode revelar uma situação de cunho kármico? E, principalmente, qual a validade desse reconhecimento na vida comum? Bem, vamos por partes:

A Lua, arcano XVIII, no tarot de Marselha, à esquerda.
O mesmo arcano no Osho Zen Tarot – Vidas Passadas.

O arcano XVIII, A Lua, tem sido apontado como o arcano do karma. Sua imagem mostra em termos simbólicos seus significados. Tomando como base o tarot de Marselha vemos um tanque com água  (Símbolo da psique) de onde sai uma lagosta, que é um crustáceo! Os crustáceos são uns dos seres mais antigos a viver no planeta. A lagosta está prestes a vir à tona, como vivências muito antigas que retornam em um dado momento. Do lado de fora dois lobos (ou cães) uivam e o uivo, hoje se sabe, é um chamado para unir a matilha. Algo muito antigo convoca nossa atenção e não pode ser ignorado. Ignorar seu chamado só traria mais sofrimento. O uivo também é um emblema do medo que os predadores noturnos, como o lobo, geraram no inconsciente  coletivo da humanidade. Medo, e as fobias em geral, é também um dos significados do arcano de A Lua.  Ao fundo vemos duas torres muito antigas aludindo à memória dos tempos inserida na alma. Ao alto uma lua crescente (A figura mostra como a lua aparece nessa fase no hemisfério norte), aparece com gostas de energia sendo retiradas da terra, ou seja, o foco da consciência está indo para dentro, para o mundo interior. A Lua  associa-se ao assim chamado “Mergulho na noite escura da alma”, um momento onde as referências do mundo racional são perdidas. Um sentimento muito comum nesse arcano é o da angústia, palavra de origem latina que significa “caminho estreito”. É interessante notar que entre os dois animais no centro da imagem há um caminho estreito por onde o crustáceo irá passar.

A Justiça, arcano VIII, regendo todas as leis.

O surgimento desse arcano numa leitura pode estar apontando uma vivência profunda cujas raízes podem estar num passado remoto dessa ou de uma outra vida. É evidente que isso não é um cálculo matemático, numa leitura simbólica como o tarot outros arcanos devem estar dirigidos para esse mesmo significado. Eu fico particularmente atento ao arcano de A Justiça VIII, que rege todas as leis, sejam elas humanas (Como o código penal) ou transcendentes (como a lei do Karma). Considero importante também o arcano de A Roda da Fortuna X, que simboliza o movimento de mudança ou retorno de uma ação ou força. É curioso reparar outra peculiaridade: A soma do arcano de A Roda da Fortuna (10) com o arcano de A Justiça (8), resulta no número de A Lua, 18.Quanto à validade de uma revelação dessas, bem eu penso ser fundamental qualquer informação que possa ampliar o campo de visão de uma pessoa sobre a situação que ela está enfrentando. Sem falar de que dentro de uma abordagem terapêutica do tarot é sempre válido saber a profundidade do que estamos tratando. Isso só se aplica, é claro, quando o leitor não está contaminado com as considerações negativas que certas doutrinas espirituais acabaram por reinterpretar o significado do karma, dando-lhe uma conotação fatalista e sombria muito parecida com a do Deus severo e punidor da doutrina judaico-cristã.

O que há para ler:
Um Estudo Sobre o Karma, de Annie Besant. Editora Pensamento.
Intuição, de Osho. Editora Cultrix.
O Caminho do Mago, de Veet Vivarta. Editora Francisco Alves.

Artigo de Jaime E. Cannes