O Tarot e as Terapias Complementares

Como um instrumento de revelação de processos interiores, o tarot também se mostrou um eficaz sistema de autoconhecimento e desenvolvimento pessoal em processos de aplicação terapêutica. Os arcanos revelam emoções, sentimentos, pensamentos e reações a uma situação vivida que podem denunciar condicionamentos da infância ou mesmo de outras vidas! Os símbolos do tarot podem revelar e orientar sobre quais posturas diante destas vivências se mostram mais adequadas, maduras ou equilibradas. Além de orientar o tarot também traz novas perspectivas que ampliam o campo de visão interior, levando a introspecção e à reflexão, abrindo espaço para a possibilidade de transformação pessoal.
Costumo dizer que o tarot é muito bom em “tirar esqueletos do armário”, mas o que fazer com eles depois? Claro que o tarólogo não tem necessariamente de se comprometer com isso, mas deve pelo menos orientar e ou indicar possíveis caminhos de tratamento terapêutico para as questões levantadas numa consulta. Outros preferem escolher alguns tratamentos complementares (Antes chamados de alternativos) para oferecer auxílio para quem procura seus serviços. O termo complementar ao invés de alternativo se acomoda melhor numa perspectiva holística de saúde, pois não exclui nenhum tipo de tratamento já que todos visam a integridade de diferentes aspectos do ser.

Algumas dessas terapias combinam bem coma dinâmica do tarot, como por exemplo, a terapia floral. Muitas vezes um tarólogo tem um único encontro com seu cliente, e passar um receituário de florais é a forma mais rápida de se indicar um caminho para tratar os temas levantados numa leitura dos arcanos. Isso sem falar que abre campo para que a atuação das essências faça com que aquela pessoa sinta os efeitos e assuma um processo de cura interior, não necessariamente com quem os indicou. O mesmo se pode dizer da homeopatia e da fitoterapia.

Certas terapias com propostas mais prolongadas podem ser bem interessantes à prática tarológica. A terapia reiki ou mesmo a terapia corporal indicam um comprometimento maior do cliente em fazer algo com as informações que recebeu numa leitura.
Através da consciência corporal proposta nos tratamentos de massagem ou na mudança dos padrões energéticos, que também moldam as estruturas mentais, como ocorre nas sessões de reiki, é possível alterar antigos padrões de comportamento e pensamento. Consultas de tarot regulares e intercaladas entre as sessões de terapia podem mostrar muito bem os efeitos do tratamento ao longo do processo e a evolução do cliente.
Se o tarólogo se utiliza de uma abordagem mais kármica do simbolismo dos arcanos, a terapia de vidas passadas (TVP) é um excelente complemento a aplicação terapêutica do tarot.
Não existem limites claros sobre quais terapias podem ser empregadas como recurso às leituras de tarot. Pode ser cristaloterapia, aromaterapia, yôga e assim por diante. Também nem tudo o que um tarólogo-terapeuta tem a oferecer é necessariamente o que seu cliente precisa.

Por esse motivo é fundamental que a postura ética seja preservada e que o bem estar do cliente seja sempre a prioridade. Tenho tido um cuidado especial em sempre me questionar se o que eu tenho a oferecer é o suficiente para tratar determinadas questões. Como deixar de se encaminhar ao psiquiatra uma pessoa que está em avançado estágio depressivo (Que pode, inclusive, levar ao suicídio)? Ou pedir paciência para quem sofre de terríveis dores musculares, causadas por estresse intenso, ao invés de indicar um terapeuta corporal?
Não devemos esquecer nunca de que um terapeuta é servidor e um cuidador antes de qualquer coisa. Como tal é responsável, pelo tempo que durar sua consulta, pelo bem estar e conforto de quem recorre aos seus serviços em busca de orientação.

Tarólogo Jaime E. Cannes