Mudanças Através dos Arcanos Maiores

Mudanças nem sempre são bem vindas, já que exigem o desligamento de uma outra situação. Passam a ser dolorosas se nos apegamos a algo e o objetivo normalmente é o crescimento. O simples fato da quebra a rotina, já representa um elemento revigorante e estimulante para proporcionar novidades e energia. Marcam nossas vidas, mas só a compreendemos, muitas vezes, mais tarde.
Existem alguns tipos de mudanças, vamos conhecê-las através do tarô:
MUDANÇA DE FLUXO – Roda da Fortuna (10) – é a Roda de Sansara ou Roda do Destino (já que fortuna quer dizer destino em latim). Há um continuum na rota e uma alteração/alternância de posições. É um tipo de mudança que ocorre dentro do próprio eixo: mudar a decoração da casa, não de casa; mudar de setor de trabalho, não de empresa; mudar dentro do relacionamento (namoro para casamento) e não de relacionamento. Nesse caso a mudança provoca uma nova visão do quadro que se apresenta.
MUDANÇA DE PARADIGMA – A Morte (13) – uma transformação de um padrão. Aqui temos a mudança através do corte: o que foi eliminado era necessário, não fazia mais sentido. Normalmente essa mudança assusta, ela pode ser simbolizada como uma árvore que sofre uma poda, para que seus galhos nasçam mais fortes. É o fim de um processo para nosso crescimento. O fim de um relacionamento desgastante, o fim de um processo jurídico que se arrastou por anos, o fim de um trabalho que não oferecia mais crescimento, saída da residência para uma nova fase de vida.
MUDANÇA DE POSTURA ( INTERIOR ) – A Torre (16) – a quebra de uma estrutura rígida. É a mudança que não temos controle direto, acontece a partir de uma crise súbita, de um impacto pessoal (externo ou interno), mas sempre com o objetivo de despertar a consciência. É a mudança que vem da perda, prejuízo, susto, fracasso, desilusão, decepção. Tem a função de “desobstruir a visão” para enxergarmos o óbvio. A falência de uma empresa, a perda de posição social, um acidente, uma doença, uma separação dolorosa, a perda de um filho ou animal, enfim normalmente um acontecimento repentino que nos tira as defesas e nos faz refletir sobre nossa postura, seja ela espiritual, mental, psicológica, moral, etc. Acontece quando nos sentimos insuperáveis, onipotentes, seguros rigidamente.
MUDANÇA DE ESSÊNCIA – O Julgamento (20) – renovação espiritual. É o tipo de mudança que anuncia que nada será como antes, uma nova luz é lançada sobre a vida e com isso surgem novos significados. É o momento do “chamado espiritual”: algo nos acontece para descobrirmos que o caminho que seguíamos não fazia sentido. Como a Torre, não temos controle total sobre os acontecimentos, mas não é imposto e não nos gera crises (nas 2 figuras quem manda é o céu: na Torre, a mudança vem pelo raio; no Julgamento, vem pelo toque da trombeta do anjo). Quando descobrimos que há algo mais do que o aspecto mundano das coisas. Um namoro pode virar amizade, um rico empresário larga seu emprego para se dedicar à vida espiritual, o perdão do filho em relação aos seus pais por erros cometidos no passado (ou outra pessoa que já amamos), alguém que decide sair de casa e viver viajando pelo mundo… Lembrando que algo ocorre na vida da pessoa que a leva a aceitar a mudança. Esse tipo de mudança confronta a pessoa com seu passado e faz com que a mesma se liberte do mesmo.
Percebemos que essas mudanças todos nós já vivemos de alguma forma, e se não vivemos, podemos viver um dia (de forma mais ou menos intensa). A mudança sempre deixa de ser dolorosa se fluímos com a corrente e não contra.
Os Arcanos mais resistentes às mudanças são:
IMPERADOR (04) – arraigamento. Normalmente a rigidez desse Arcano é o responsável pela mudança de postura (16 – A Torre), até porque 4×4=16 Torre. Quando há um sentido mais espiritual por detrás da situação há uma mudança de essência (20 – Julgamento); analisando 04 (Imperador) x 05 (Papa) = 20 “Julgamento”. O Imperador é um dos mais rígidos Arcanos seja pela sua faceta de poder ou de inflexibilidade registradas. Por mais que se diga que é preciso mudar, a pessoa não ouve.
PENDURADO (12) – estagnação. O sofrimento muitas vezes advindo desse Arcano relaciona-se à teimosia de querer enxergar as coisas de uma única forma. Eis aqui uma parada por fraqueza, intimidação, desânimo, desmotivação, até por medo em alguns casos. É confortável para essa pessoa parecer a vítima, para se “proteger” das situações. Aqui só existe a quebra da paralisação quando existe compreensão espiritual.
TEMPERANÇA (14) – espera. Aqui tudo é muito lento, muito vagaroso e repetitivo. Estabelece-se até um tédio nas situações. Não que a pessoa não queira a mudança, mas a repetição é para que a pessoa percebe também as falhas, como um ensaio de uma orquestra. Há movimento, mas com uma sucessão de dejavús. Nos força aguardar os próximos acontecimentos, para que percebamos todo o quadro apresentado. Estamos “de recuperação na escola” aqui.
Observemos de que forma tais arcanos se comportam numa tiragem. Certamente, o aparecimento dos mesmos pode denotar ou mudança no quadro ou sinalizar que tudo permanecerá como está.
Giancarlo Kind Schmid