Índigo – A cor de O Julgamento

A civilização egípcia antiga acreditava que em sua existência terrena e através de suas múltiplas encarnações era dada ao homem a oportunidade de analisar qualquer fato, por mais simples que parecesse, sob todos os ângulos que o envolvesse. Para eles, a análise de ‘todos’ os lados da mesma moeda era o que possibilitava ao indivíduo o alcance da consciência e esta, por sua vez, desenvolvia aquela alma a um nível mais elevado espiritualmente.

Pessoalmente, acredito muito nisso. Acredito que quando a gente tem uma opinião ou uma idéia sobre alguma coisa, bom é que nos deparemos com a nossa ‘anti-idéia’ (esta palavra não está no Aurélio), pois além de nos levar de volta ao ponto zero de nosso raciocínio, nos permite uma análise mais ampla da qual, normalmente, saímos com uma idéia, uma opinião ou um ideal mais completos. Fernando Pessoa, inclusive, fez para a antítese poesia, escrevendo que “Tudo vale à pena se a alma não é pequena”.

Desta vez, foi a minha cunhada que me trouxe uma luz mais brilhante para o raciocínio índigo. Nós estamos, as duas, envolvidas com este estudo porque a terceira de nós, a Thayná, está a cada dia mais senhora do próprio nariz! E, ao contrário do que muitos possam pensar, para nós é gratificante e muito engraçado ver o tiquinho de gente tomando suas próprias decisões e caminhando firmemente sobre suas perninhas miúdas e rechonchudas em direção a um objetivo. O nosso é aprender a lidar com ela e possibilitá-la o máximo para seu desenvolvimento como criança feliz.

Eis que me aparece uma revista cuja manchete traz as seguintes palavras: “Crianças Índigo: Má educação ou Evolução?” Amei! Foi a primeira matéria ‘anti-idéia’ que me veio às mãos e, ainda mais interessante é o fato de estar editada na revista “Espiritismo e Ciência”, à luz da Doutrina Espírita. *Quero aproveitar este espaço aqui para dizer que é como está no Orkut: Tenho um lado espiritual independente de religiões!

O autor da matéria questiona, muito oportunamente, como seres que possuem as características índigo podem ser os portadores da boa nova, da transição espiritual planetária se o que é mais proeminente num índigo é a individualidade, uma sensação de não-pertença a este mundo e até mesmo de superioridade. Espera-se de seres mais evoluídos que eles sejam mais fraternos, complacentes com os demais e infinitos em amor e compaixão. Espera-se que realizem grande feitos pela humanidade. Mas, me pergunto então, a humanidade não é composta de seres individuais (indivíduos) que, para que trabalhem pelo benefício coletivo precisam já ter trabalhado em benefício de si próprios? (…)

Meu querido amigo Gianpaolo Celli em sua coluna no site Tribos de Gaia (www.tribosdegaia.com.br) questiona da mesma maneira a negação ao bem-estar individual que foi-nos ensinado desde a muito cedo de nossa existência: “(…)Pois o que nos ensinam, é que devemos pensar em nós mesmos somente por último, se é que devemos pensar em nós mesmos… É erro, egoísmo, pois a sociedade é mais importante do que o indivíduo. O que se esquecem, ou o que nos fazem constantemente esquecer, é que sem um indivíduo completo, a sociedade deixa de existir, deixa de \’ser\’, e o que resta nada mais é do que um amontoado de seres que tentam sobreviver, e não viver, num mesmo local, gerando uma balburdia que é tanta, que seus conceitos atualmente estão todos se voltando contra ela. Assim, passamos nossa vida: em relacionamentos vazios; em empregos que não nos satisfazem; sem saber o porquê de estarmos fazendo as coisas, e terminamos a vida com aquele sabor amargo que poderíamos ter vivido mais, mais tempo, mais intensamente, tendo feito mais coisas para nós mesmos”.

Outro ponto da anti-idéia que me chamou a atenção naquela matéria foi um questionamento sobre uma colocação de Nancy Ann Tappe, na qual ela diz que todas as crianças que mataram colegas ou os próprios pais, com as quais teve contato, eram índigo. Ela explica que este fato reflete um novo conceito de sobrevivência. Expõe que todos nós possuíamos este tipo de pensamento macabro quando crianças, mas tínhamos medo de colocá-lo em prática e que os índigos não têm medo. O autor da matéria, por sua vez, pareceu não ter se sentido bem com o ‘todos nós’ da explicação de Ann Tappe, com toda razão afinal.

Explica a psicanálise, no entanto, que TODOS os indivíduos são dotados de Instintos. Primeiramente, Freud utilizou-se da palavra Instinkt, do alemão, a mesma utilizada para os animais. Depois, achou que não estava bem, pois o homem é portador de consciência. Então, trocou o que era Instinkt para Trieb, do alemão, significando impulso, pulsão, compulsão e, separou o geral Trieb em ‘Pulsão de Vida’ (Eros), os impulsos bons e ‘Pulsão de Morte’ (Thanatos), os impulsos ruins – ambos constituintes da psique humana.

Entretanto, antes da conquista da civilização – a maior feita da humanidade – a luta pela preservação do espaço através da competição e da auto-preservação fez-se necessária. A esta luta designou-se o termo AGRESSÃO, também constituinte da psique humana no geral. Recorrendo ainda à Lei Hermética que reza que ‘o que está em cima é como o que está em baixo’, acho pouco provável que possamos separar a evolução das civilizações da evolução pessoal, individual. Nenhuma história dos primórdios da humanidade é isenta das guerras (e até hoje as enfrentamos em nosso tempo, na nossa realidade…) e assim também não o é o desenvolvimento dos infantes até que alcancem um maior grau de consciência (quem dera a civilização ‘adulta’ atual também o alcançasse!) interdependente de si mesmo e da coletividade.

O autor segue discorrendo por vários questionamentos interessantes até que toca, acredito eu, no ponto crucial da existência terrena: “Desde sempre tivemos no mundo gente assim. Espíritos que reencarnam com uma grande missão, não em relação à humanidade, mas a si mesmos: a missão de se renovarem, de superarem suas mazelas e imperfeições, o que de resto, é a finalidade precípua da existência humana”.

lake_indigo_by_cowinAcredito que seja assim mesmo, meus amigos, bem como já disse Jung uma certa vez: “Quem olha para fora, sonha; quem olha para dentro, acorda”. Acordar o que há dentro reflete no acordar o que há fora. Quebrar paradigmas internos, quebra paradigmas exteriores e chega-se ao ponto da sociedade constituída por indivíduos que dão-se a devida atenção e, por assim ser, cuidam dela , da sociedade, de uma maneira também mais atenciosa e assim desbravam os caminhos da transição individual, social e planetária.

Num texto anterior, sobre o Eremita, eu coloquei que “ele usa a lanterna para iluminar sua própria escuridão. Nenhum ponto muito distante – apenas o que lhe é, naquele momento, possível enxergar. Então, dá mais um passo à frente e mais um pedacinho do seu caminho passa a ser iluminado. Nada de pressa, tudo com muita prudência para que o futuro chegue bem estruturado e para que se tenha maturidade para aproveitá-lo”. Períodos de transição são árduos e atropelar os acontecimentos, querer enxergar além do que a lanterna ilumina é perder-se em elucubrações efervescentes, que podem nos turvar a visão.

Penso nisso tudo como uma Estrela nova brilhando. É inútil querermos tomar nas mãos um evento que o Universo se incumbiu de preparar para nós e nos preparar para recebê-lo. Acredito que a nossa parte seja mesmo a de cuidar para que nossa consciência agüente tantas perspectivas novas, tantas manifestações ‘diferentes do que sempre foi’ e, como não poderia faltar no discurso de uma educadora (rsrs!), precisamos cuidar das crianças, conviver com elas, permitir-nos aprender com elas de forma amorosa e respeitosa. Acreditam que toda esta conversa me fez pensar numa escola a que meu amigo Rubem Alves dedicou um livro inteiro chamado “A Escola que sempre sonhei sem imaginar que pudesse existir”? …Mas esta é uma outra parte da nossa conversa!

Para terminar esta parte, gostaria apenas de cutucá-los com um pouco mais de poesia de quem também viveu fora de seu tempo, de maneira dita individualista, mas que, como todo bom Eremita, fez seu próprio caminho mantendo acesa sua lanterna e ajudando-nos a acender as nossas.

\”Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já têm a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.”

Fernando Pessoa

Alessandra Fonseca

(Taróloga e Alfabetizadora)