As funções masculinas do AR Cavaleiro & Rei

Podemos visualizar as cartas de côrte como metáforas das etapas cronológicas da vida humana. Especialmente nesse texto, estarei falando sobre os homens de AR, o cavaleiro e o Rei. A figura dos cavaleiros podem representar a fase da adolescência e os adultos socialmente ativos na luta pela sobrevivência e estabilidade. Nas cartas da realeza, eles estão entre o estágio intermediário entre a infância (pajens) e a maturidade e estabilidade (reis e rainhas).

O Cavaleiro de Espadas

Remontando a estruturação social medieval, a imagem do cavaleiro pode servir como analogia a figura de um guerreiro, alguém que lida com armas, que utiliza uma armadura, o escudo e um cavalo. No imaginário popular, são aqueles heróis dos contos de fada que matam os dragões e salvam as donzelas.

O cavaleiro como símbolo para os dias de hoje, demonstra o sujeito vivenciando o seu mito do herói, deparando-se com os obstáculos da realidade e precisando ainda colocar-se à prova, se auto-conhecer e impor-se como indivíduo com um papel social mais definido. Por isso, o cavaleiro pode ser o adolescente, indicando o período da transição da infância para a idade adulta, de descoberta do seu lugar ao sol, de esbarrar e enfrentar as estruturas (desafios de entrar no mercado, obter uma companheira, enfrentar competição), assim como o caso de um adulto na faixa etária de produção, que precisa lutar para se manter, seja em um emprego, em um relacionamento ou grupo.

O cavaleiro de espadas sendo do elemento AR (função pensamento), poderia ter como ditado: “quem planta vento, colhe tempestade”. Um debate que começa amistoso, pode terminar em violentas discussões com este nobre da côrte. Terá como arma a espada, o utensílio que tem por finalidade cortar, ferir. Sendo uma espada um objeto metálico, frio, rígido e brilhante, cuja propriedade é separar algo em duas ou mais partes, temos aqui a representação do intelecto, que analisa, discrimina, dá nomes aos bois, cataloga, “corta e elimina” o supérfluo. A lógica pura, a abstração desapaixonada. As palavras e a comunicação, que podem ferir como lâminas, mas também esclarecer, elucidar e organizar um pensamento.

O Cavaleiro de espadas tem como arma as palavras e a lógica racional pretensamente imparcial, é aquele que se impõe com argumentos, algumas vezes com rebeldia, outras vezes com irônia ferina e cruel.Por sua energia guerreira, ele não fica calado diante do que considera errado e tem sempre um discurso muito inteligente, defende-se e acusa com muita eficiência. É uma pessoa brilhante, mas pode ter o mau hábito de ser sempre “do contra”. Ele sabe distorcer e justificar racionalmente as coisas segundo seus interesses, por isso pode ser alguém que não aceita bem figuras de autoridade. Suas discussões podem acabar se tornando estéreis, pois ele nem sempre deseja encontrar uma solução, mas provar um ponto de vista, desqualificar os outros ou simplesmente vencer o debate, enquanto o assunto em si perde o sentido. Esse cavaleiro não tolera bem a ordem vigente e critica tudo, algumas vezes não sabe o que colocar no lugar e se perde, pois a razão desassociada da emoção e experiência, pode gerar um vazio, um ceticismo corrosivo e um apreço por confrontações fúteis.

Pode parecer uma pessoa insensível, que não se importa se está machucando os outros. Por isso, apelar para o sentimentalismo com este cavaleiro não surtirá muito efeito. Ele não sabe lidar com isso,e quando envolvido pode ficar arredio e confuso, agir com indiferença ou defender-se das próprias emoções humilhando ainda mais o suposto adversário (inclusive nos casos amorosos). Quando toma alguém por amigo, é porque suas idéias e projetos são afins. Pode ser popular e fazer os outros pensarem além do lugar comum arranjando aliados.
Emocionalmente, ele considera uma fraqueza entregar-se ao outro, ele tentará conquistar e envolver os outros de acordo com suas idéias e o impulso de fazer valer sua lógica, não teme debates acirrados, não descansa enquanto não convence. Isso em excesso, pode torná-lo insuportável, sarcástico, um crítico cruel consigo mesmo e com os outros. Pode ser a figura de um adolescente muito inteligente, com tiradas espirituosas, mas que sempre contraria, um rebelde sem causa, revoltado e irônico com dificuldade de se relacionar afetivamente ou se abrir ao entendimento empático com o outro. Busca ser uma pessoa independente e auto-suficiente, evita apegos.  Pode revelar também adultos que precisam estar sempre “armados”de argumentos para se defender um ambiente hostil, podem ser por exemplo acadêmicos ou cientistas que precisam defender as suas teses,  as especulações políticas, advogados se enfrentando em um julgamento, revolucionários confrontando o sistema. A agressividade do cavaleiro de espadas pode ser útil como meio de eliminar tabus, paradigmas antiquados, trazendo questionamentos importantes, um vento de renovação, originalidade no modo de pensar. Ou pode ser apenas um criador de polêmicas!


O Rei de Espadas

O Rei de Espadas seria a maturidade deste cavaleiro. Ele não está brigando pelo seu lugar ao sol, ele já está na posição de administrador do reinado e não pretende perder o cargo.  Diferentemente do homem com o cavalo, este rei está sentado e do seu trono, vê o mundo como um grande tabuleiro de xadrez. Seus objetivos são claros, ele sabe exatamente aonde quer chegar e poderá ser bastante calculista em como conseguir isso. Ele não é o tipo de
dá murro em ponta de facas como o cavaleiro, ele sabe quais são as peças disponíveis e as usa de acordo com o que sabem fazer. Não tem paciência com enrolações, discimina o essencial, foca no resultado.
O raciocínio está a serviço de uma meta clara, este rei pode manipular as pessoas, conhecer seus interesses e jogar com isso. Enxerga os padrões, comportamentos dos outros e os direciona. É um grande estrategista, tem uma forma militar de pensar e estruturar as idéias. Adora gráficos, números, subsídios que o ajudem a tomar decisões. Normalmente este rei, pode ser um bom gestor de pessoas, de funções, mas pode ficar bastante surpreso quando alguém foge a regra. Se uma pessoa não for útil, ou criar problemas, ele eliminará impiedosamente. Exige eficiência, organização e faz apontamentos implacáveis naquilo que acredita que deve ser melhorado. É alguém que faz as perguntas certas, nos momentos certos.

Sente incomodo, assim como o cavaleiro, com demonstrações de afeto e carinho. Ele prefere retirar-se, ou se ocupar daquilo que considera mais importante envolvendo novas metas e projetos. Este rei não tolera carência, para ele as coisas são preto no branco. Porém, tende a ser justo, e se ele achar que a pessoa possui mérito, buscará retribuir ou premiar. Sua forma de mostrar algum apreço é através da gratidão compensatória, e embora seja possa encantador, ter um bom discurso, mantém a postura de distanciamento. Este Rei é alguém difícil de se aproximar afetivamente, ele parece uma pessoa inascessível, mas isso é porque não lida bem com intimidade. Nos romances, pode parecer indiferente ou que a pessoa amada é a última das prioridades. São pessoas perfeccionistas, que sempre exigem o melhor de si mesmo e dos outros. O seu emocional é enigmático, de difícil acesso devido a uma intensa repressão e controle pelo meio, que pode ter sido construído desde a infância. Podem ser profissionais da programaçao, gestão, matemáticos, cientistas, militares, empresários, juízes, diplomatas, pessoas que precisam tomar decisões importantes com frieza de raciocínio e desapego emocional.
O Rei de Espadas é uma pessoa que pode trazer muita admiração, as pessoas podem enxergá-lo como um modelo de retidão e imparcialidade, que não cede às pressões.  Estes reis fazem previsões de probabilidade evitando cometer erros. Apesar de criar vínculos com projetos e idéias, sua vida pessoal pode ser um lixo, as relações afetivas distanciadas, quando restringe-se apenas ao calculismo e as obrigações. Podem possuir um lado B perverso, ou esconder um ferida emocional traumática.

Luciana Lebel
Taróloga e psicóloga

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Imagens: Tarot Luis Royo